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Ait Benhaddou – um tesouro marroquino

Ait Benhaddou – um tesouro marroquino

Marrocos

Estou certo que você já viu a foto que ilustra o post. Ait Benhaddou é um ksar, um conjunto de construções em barro, madeira e palha cercada por uma muralha. O lugar é um perfeito exemplo de arquitetura da região que antecede o Saara marroquino. O Viver a Viagem esteve lá e mostra tudo para você.

Continue lendo para saber mais sobre:

 

 

O que é Ait Benhaddou

Ait em tamazight (berber) quer dizer tribo. Benhaddou é o nome da tribo. A tribo Benhaddou (Ait Benhaddou) é uma dentre tantas outras com suas casas de barro e palha. O que a torna tão especial é a sua beleza associada à preservação, ao status de patrimônio da UNESCO, à importância histórica e à facilidade de acesso.

Estima-se que a construção mais antiga da tribo não anteceda ao século XVII. A cidadela teve um importantíssimo papel na rota comercial que ligava o antigo Sudão a Marrakech através do Vale do Dra e da passagem de Tizi-n Telouet.

Dentro da muralha há casas, torres de vigia, palacetes com torres (kasbahs), mesquita, praça, terraço para secagem de grãos, um forte, um caravanserai e dois cemitérios (um judeu e outro muçulmano).

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Portão principal e kasbahs[1]

No começo do século XX os habitantes começaram a sentir falta de facilidades como a energia elétrica, escola e hospital. Por volta dos anos 40 ou 50, as famílias começaram a abandonar suas casas na tribo e se instalar do outro lado do rio em casas de alvenaria. Nascia assim a cidade que vemos hoje.

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Ait Benhaddou e a cidade nova ao fundo[2]

Ainda hoje não há energia elétrica no ksar. Tudo é a luz de vela. Há quatro ou cinco famílias que ainda vivem ali.

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A luz que ilumina esta foto é o reflexo da luz da cidade e da lua. Consegue ver algumas janelas iluminadas? Pois o que você vê é luz de vela[3]
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Um dos últimos moradores de Ait Benhaddou[4]

Curiosidade: você sabia que muitos berberes carregam o nome da sua tribo no próprio nome? Mohamed, dono do Kasbah Tebi se chama Ait Ougrom Mohamed. Hamid, do Desert Luxurious Camp em Merzouga – em breve conto a história dele – se chama Ait Haddou Hamid. Desse jeito é possível saber de que tribo a pessoa é.

 

 

O que fazer

Visitar o ksar é o mais óbvio e obrigatório. Há três entradas:

  1.  A entrada principal é a que todo mundo enxerga ao ver uma foto de frente, um portão bem central acessível ao cruzar o rio. Esta entrada é paga. Não custa muito, entre 20 ou 30 dirhams;
  2. A entrada pela ponte estava gratuita quando passei. Basta seguir o caminho após atravessa-la;
  3. A entrada pela saída, é gratuita e fica no canto direito ao cruzar o rio. Geralmente é por onde todo mundo sai;
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Ait Benhaddou vista do terraço do hotel La Fiboule D’Or. A entrada principal é através do portão central, visível na foto[5]
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Logo depois que você cruza a ponte cai nessa ruela lateral que leva à cidadela. A rua é abarrotada de souvenirs[6]
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Assim que cruzar o rio, pegue a direita e logo chegará a esta entrada/saída[7]

Há ainda uma quarta entrada, contudo, apenas para os que se hospedam no Kasbah Tebi. O Viver a Viagem se hospedou lá e conta tudo no post Ait Benhaddou – onde se hospedar.

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Entrada do Kasbah Tebi[8]

Ao entrar pelo portão principal há um kasbah restaurado e aberto para visitação. É possível ver os tijolos de barro que são usados na construção tradicional, o tipo de revestimento usado para recobrir a parede, o material usado para fazer o forro, as vigas de palmeira e muito mais. Imperdível!

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Tijolo tradicionais de barro e palha[9]
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Kasbah restaurado e aberto a visitação[10]
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Chave berber. Há uma combinação única nos pinos das chaves e caixas que possibilitava cada pessoa ter sua chave de casa[11]
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Porta de entrada, com tranca tradicional e caixa de chave berber[12]
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Entre andares[13]
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Paredes totalmente de barro e palha. Tetos de palmeiras e madeiras entrelaçadas[14]
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Vão central no segundo andar[15]
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Pintura tradicional original[16]
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Vista do terraço[17]

Dentro do ksar, caminhe pelas ruelas e suba até a fortaleza. Pelo caminho há lojinhas com souvenirs diversos e até um tear. É possível comprar tapetes tradicionais berberes ou apenas vê-los sendo feitos – imagino que o preço seja inflacionado dado o apelo turístico.

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Menina tecendo um tapete berber em Ait Benhaddou[18]
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Detalhe da tecelagem[19]
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Cintas tradicionais berberes[20]
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Roupa tradicional[21]
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Janelas com esquadrias de madeira e trabalho rebuscado em metal[22]
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Subindo a caminho da fortaleza[23]
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Fortaleza e ponto mais alto do ksar[24]

O lugar já serviu como cenário para diversos filmes, como A Múmia, Gladiador, Alexandre, Babel e o Príncipe da Pérsia.  Se você é cinéfilo aproveite o passeio para se sentir imerso em seu filme favorito.

Não há o que fazer na cidade nova. Caminhe pelas ruelas e observe os locais, tome um chá com hortelã e aproveite para comprar algo – se gostar de comprar. Apesar do apelo turístico a cidade é um vilarejo e não tem a agressividade dos vendedores de Marrakech. Aproveite para aprender a negociar como um marroquino.

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Mesmo nas ruas da cidade nova é possível encontrar a estética das casas de barro e palha. Muitas têm o esqueleto de alvenaria e o revestimento de barro, para conferir mais segurança[25]
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Porta de alguma casa[26]
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Lojinhas na rua que desce para o rio[27]
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A cidadela vista da cidade nova[28]
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Moradores trabalhando no campo[29]

O legal do Marrocos, para quem gosta de comprar, é que tudo que é vendido é feito por e para marroquinos. Há souvenirs como camisetas, chaveiros e imãs, mas há muitas coisas bonitas e de qualidade não importa onde você vá.

Outra coisa deliciosa é ver o sol se pôr tingido o céu e as casas de laranja e rosa.

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Por do sol[30]
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Por do sol[31]

Você pode fazer caminhadas pelo leito de rio tanto para cima quanto para baixo. Seguindo a rodovia P1506  50km para o norte há o maravilhoso kasbah de Telouet, ainda intocado pelo turismo.

 

 

Onde se hospedar?

Muita gente visita o ksar num day-trip. Uma pena, pois é muito bonito e interessante passear com calma pela estrutura e pela região. Para os que ficam, há duas opções: hospedar-se dentro do ksar ou do outro lado do rio, na cidade.

O Viver a Viagem ficou dois dias lá e experimentou o melhor dos dois mundos. No primeiro, ficamos do outro lado do rio na primeira casa a ser erguida com a mudança das pessoas da cidadela (entre os anos 40 e 50). Do terraço, é possível ver o ksar sem nenhuma interferência. Fiquei lá para poder ver o por e o nascer do sol com Ait Behaddou ao fundo.

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Lufe do Life by Lufe sendo servido no café da manhã[32]

Há inúmeros hotéis à beira rio e outros tantos mais para dentro – sem vista ou com vista obstruída.

No segundo dia, resolvemos nos hospedar dentro das muralhas. Há dois ou três hotéis, sendo o Kasbah Tebi o mais bem estruturado e bonito. Ele ocupa dois kasbahs.

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Terraço do Kasbah Tebi, dentro do ksar[33]

Leia o post exclusivo sobre a experiência de ficar dos dias em Ait Benhaddou – onde se hospedar.

 

 

Como chegar?

Imagino que você tenha chegado por Tanger, Casablanca ou Marrakech e queira se aventurar pelo deserto. Ait Benhaddou fica numa região entre o Alto Atlas e o deserto. Você pode chegar até lá com uma companhia de turismo; carro próprio ou alugado; ou ônibus e grand taxi.

Companhia de turismo

A maioria das pessoas compra um pacote de três ou quatro dias para o deserto partindo de Marrakech e passa algumas horas em Ait Benhaddou, seguindo viagem para Ouarzazate, onde geralmente dormem. Se essa for a sua opção, não tem muito com o que se preocupar. O guia fará todo o serviço por você.

Uma maneira interessante de viajar com uma companhia de turismo é contratando um roteiro feito especialmente para você. Durante a nossa estada no Marrocos, contratamos o serviço da Wild Morocco para nos buscar em Ait Benhaddou e levar para o deserto de Erg Chigaga.  Foi uma experiência maravilhosa!

Confira o post exclusivo para esta aventura Erg Chigaga – expedição ao deserto

Carro

Se estiver na Europa, atravessar o estreito de Gibraltar num ferry até o Marrocos é uma ótima opção! Apenas tenha em mente o tipo de aventura que você fará. As estradas do país são boas e geralmente asfaltadas. Contudo, se você quiser sair delas é aconselhável que alugue ou tenha um bom 4×4.

Se estiver vindo de carro de Marrakech, pegue a rodovia N9 e siga em direção a Ouarzazate. Ao chegar a Tabourahte, pegue a P1506 até chegar a Ait Benhaddou. Se quiser o caminho mais bonito, assim que cruzar a passagem Tizi N’Tichka, fique atento à sinalização e peque a P1506 à esquerda. Desça até chegar em Ait Benhaddou.

Se estiver vindo de Fez ou do Vale do Dra, siga até Ouarzazate e continue pela N9. Ao chegar a Tabourahte, pegue a P1506 até chegar a Ait Benhaddou.

Ônibus e grand taxi

Essa foi a opção escolhida. Comprei passagem de Marrakech até Ouarzazate pela Supratours e pedi para o motorista parar em Tabourahte. Lá dividi um grand taxi com outras pessoas até Ait Benhaddou. O ônibus custou 80 dirhams e o grand taxi 30 dirhams.

Se vier de Fez ou do Vale do Dra, pare em Ouarzazate e pegue um grand taxi a partir de lá.

About the author

Sou fotógrafo, moro em São Paulo e já estive em 16 países. O Viver a Viagem é meu projeto pessoal e vai além de dicas triviais; quero proporcionar uma imersão cultural e ajudar você a viajar com um olhar diferente.