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Cultura japonesa em Quioto, conheça o Gion Corner

Cultura japonesa em Quioto, conheça o Gion Corner

Japão

Já pensou em conhecer não apenas uma mas sete tipos de artes tradicionais japonesas numa noite? No coração de um dos bairros mais tradicionais de Quioto está o Gion Corner, um estabelecimento dedicado à cultura japonesa. O Viver a Viagem esteve lá e compartilha com você a visita.

Aposto todas as minhas fichas como uma das imagens do Japão que você tem é da gueisha. Estou seguro que todos que visitam o país gostariam de cruzar com uma delas pelas ruas de Quioto, ou até mesmo serem entretidos por uma enquanto visitam uma ochaya. Como exímias anfitriãs, elas conversam, servem sake, jogam jogos com bebida e tocam instrumentos tradicionais.

Esse serviço além exclusivo – requer a introdução através de um cliente já existente – pode custar muito caro. Atualmente, algumas agências de turismo oferecem almoço ou jantar acompanhados do serviço para turistas dispostos a pagar algo por volta de USD 200.

Uma das experiências mais acessíveis tem sido o espetáculo diário no Gion Corner. O espetáculo condensa sete tipos de artes japonesas de forma introdutória e é uma alternativa para se gastar menos e assimilar uma fatia da cultura japonesa.

Se você gostar de alguma em particular pode, posteriormente, buscar imersão na arte.

 

 

O Gion Corner e a cultura japonesa

O teatro fica ao lado da rua mais tradicional de Gion, a Hanamikoji-dori. O Gion Corner é um lugar para você absorver a cultura japonesa em sete expressões artísticas: kyomai, a dança maiko; koto, a harpa japonesa; bunraku, o teatro de boneco; gagaku, a música de corte; kyogen, o teatro cômico; kado, arranjo de flores; e chado, a cermônia do chá.

Caminhar pelas ruas do bairro à noite é uma experiência mágica. Ainda mais se você pegar o entardecer, quando muitas maikos e geishas se dirigem às casas de chá (ochaya) para trabalhar.

Uma rua em Gion, um dos bairros mais tradicionais e centro da cultura japonesa em Quito.
Uma rua em Gion, um dos bairros mais tradicionais e centro da cultura japonesa em Quito[1]

 

 

Koto: a harpa japonesa

O som do koto é um dos sons que mais me remetem à cultura japonesa. Foi o primeiro instrumento japonês que tive a oportunidade de conhecer – ainda quando criança. Paixão à primeira escuta.

Seu tom majestoso e seu som clássico prendem o coração de qualquer um.

Originalmente, o instrumento foi trazido da China há mais de 1300 anos. No Japão, desenvolveu estilos próprios em Tóquio e Quioto. A apresentação que assisti foi apenas tocada. Há também apresentações acompanhadas de canto.

O koto é um instrumento de cordas com o som bem característico da cultura japonesa
Mulher tocando o koto, um instrumento de cordas com o som bem característico da cultura japonesa[2]

Veja uma apresentação do koto:

Kado: arranjo de flores

O costume de apreciar as flores colocadas em vasos no Japão data da entrada do budismo no país. Flores eram usadas como oferendas a Buda. Muito além da contemplação, a arte detém significado religioso e moral.

Com o passar do tempo, surgiram escolas de arranjo floral, suas técnicas foram aperfeiçoadas e inúmeras regras criadas. Hoje o arranjo de flores pode ser classificado em seis grandes estilos: rikka, seika, jiyuka, nageirebana, hanaisho e zen’eika.

É lindo observar a tranquilidade e precisão dos movimentos com que a mulher transforma um vaso e flores no chão num belo arranjo.

O kado é a arte de fazer arranjos florais e é também uma expressão da cultura japonesa
Mulher montando um arranjo de flores através do kado, uma forma expressão da cultura japonesa[3]

Treatro Kyogen

O kyogen é uma peça tradicional de comédia, encenada num linguajar coloquial e vulgar da época da peça (séc. XV e XVI).

Em contraste ao teatro nô, que expressa o mundo de fantasia e tragédia, o kyogen é caracterizado pela representação social da época de forma vívida e cômica. É o teatro dos plebeus.

Falar japonês já não é fácil, quem dirá entender o japonês coloquial de séculos passados. Ainda bem que havia um libreto para entender a peça. Ela chama-se Boshibari e o Viver a Viagem divide o enredo com você:

Jiro e Taro eram  dois servos muito preguiçosos, que sempre bebiam quando o seu senhor saia. Certo dia, o senhor decidiu acabar com isso e tomou uma providência. Pediu para Jiro ensinar-lhe a usar o bastão, e assim que Jiro começou a manusea-lo o senhor amarrou suas duas mãos ao bastão. Entretido com a situação, Taro começou a rir sem parar e o senhor também aproveitou o momento para amarra-lo.

Satisfeito, o senhor ordenou aos servos que cuidassem da casa. Enquanto o senhor não estava em casa, os dois arranjaram um jeito de beber e encheram a cara, com direito a dança e cantoria.[4]

kyogen, o teatro cômico também é uma forma de expressão da cultura japoensa
O kyogen, teatro cômicao japonês, também é uma forma de expressão da cultura japonesa[5]

Música da corte gagaku

Uma das apresentações que eu mais estava ansioso para assistir, pela música, instrumentos e cores. Realmente muito bonita.

Gagaku literalmente quer dizer música elegante. A apresentação pode ser apenas instrumental (gagaku) ou acompanhada por dança (maigaku). A peça do Gion Corner foi o maigaku.

Entre os séculos VI e VII, vários estilos musicais e instrumentos foram introduzidos ao Japão vindos de países como China, Coreia e Índia. Com o tempo, grandes mudanças foram feitas nesses estilos, músicas e instrumentos para serem apropriados aos rituais da corte e aos rituais budistas. Obviamente, novas músicas e estilos também foram criados.

Instrumentos de sopro, corda e percussão são usados no gagaku (música da corte), uma forma de expressão da cultura japonesa
Instrumentos de sopro, corda e percussão são usados no gagaku (música da corte), uma forma de expressão da cultura japonesa[6]
A apresentação no Gion Corner é uma peça de maigaku (música e dança). Cultura japonesa
A apresentação no Gion Corner é uma peça de maigaku (música e dança)[7]

Assista a uma peça com gagaku e maigaku:

Dança kyomai

Essa é a apresentação que 99,99% das pessoas que vão ao espetáculo querem ver. A imagem da maiko e da geisha fazem parte da bagagem de estereótipos que todos carregam do Japão – e o Viver a Viagem não é exceção.

Kyomai significa dança de Quioto, surgiu no século XVII ao incorporar a sofisticação da dança da corte à dança mai (um estilo tradicional de dança) já existente.

A dança kyo-mai é uma expressão da cultura japonesa
Maikos dançando no Gion Center[8]
A dança kyo-mai é uma expressão da cultura japonesa
Maiko dançando no Gion Center[9]

Todo mês de abril, em Quioto, acontece o festival Miyako Odori Matsuri que se mantém forte há 144 anos. O festival é um dos principais da cidade e consiste em quatro apresentações diárias encenadas por geishas e maikos durante todo o mês.  A peça é dividida em oito atos que de se desenvolvem com a mudança das estações. Assista à divulgação do festival deste ano:

Bunraku: teatro de bonecos

Com origem no século XVII o bunraku é a forma mais tradicional do teatro de marionete japonês. Durante a apresentação há três tipos de artistas no palco: os marionetisas (três por boneco), o narrador e o tocador de shamisen (instrumento de três cordas da cultura ryukyu).

As peças eram baseadas nas vidas dos plebeus de Osaka e expressavam habilmente as sutilezas da natureza humana. Isso fez com que a arte conquistasse um sucesso sem precedentes durante o período Edo (1603-1868).

É impressionante a vivacidade e perfeição dos movimentos do boneco.

Os bonecos do bunraku são uma expressão da cultura japonesa
Apresentação de Bunraku[10]

Curioso? Assista a introdução de Dolls, filme de 2002 do diretor Takeshi Kitano.

Chado: Cerimonia do chá

A primeira evidência do consumo do chá no Japão data do século XIX através de monges budistas vindos da China. No início, o chá foi consumido nos templos budistas e pela aristocracia exclusivamente por motivos religiosos e medicinais.

No final do século XII, um monge budista retornou da China trazendo uma maneira diferente de preparo: pó de macha dissolvido numa vasilha com água quente – lhe parece familiar?

Já no século XVI, o hábito de consumir o chá alcançava todos os níveis da sociedade japonesa. Na mesma época, os ensinamentos de Sen no Rikyu influenciaram o desenvolvimento de novas formas na arquitetura, jardinagem, artes e a constituição da cerimonia do chá. Seu princípio de harmonia, respeito, pureza e tranquilidade (wa-kei-sei-jaku) é a base da cerimonia.

A cerimonia do chá, então, se desenvolveu de maneira orgânica com o aperfeiçoamento de práticas durante séculos. Envolve a preparação, apresentação e degustação do chá.

a cerimônia do chá é uma expressão da cultura japonesa
Geisha no Miyako Odori Matsuri realizando a cerimônia do chá[11]

Aproveite para caminhar pelas ruas à noite assim que sair do Gion Center.

Rua de Quioto à noite
Hanamikoji-dori à noite, após a apresentação[12]

 

 

Horário de funcionamento e valores

Gion Corner funciona todos os dias das 18h às 19h.

De dezembro até a segunda de março há espetáculos apenas às sextas-feiras, sábados, domingos e feriados nacionais.

Fechado: 16 de julho, 16 de agosto e de 29 de dezembro até 3 de janeiro.

Preço

Adultos JPY 3,150

Estudantes (16-22) JPY 2,200

Crianças (7-15) JPY 1,900

 

Acesse o site para maiores informações (em português)

 

 

Como chegar ao Gion Corner

Ônibus

Partindo da estação de Quioto pegue o ônibus 100 ou 206, salte no ponto Higashiyama Yasui e caminhe por mais cinco minutos.

Trem

Pegue a linha Keihan, salte em Gion-Shiojo e caminhe por cinco minutos; ou, pegue a linha Hankyu, desça em Kawaramachi e caminhe por 10 minutos.

Endereço: Yasaka Hall, 570-2 Gionmachi Minamigawa, Higashiyama-ku, Kyoto.

Faça sua reserva em Quioto pelo Viver a Viagem e ajude a manter o site. Não custará nenhum centavo a mais para você.

CC-BY-NC

Referências e Notas Explicativas   [ + ]

About the author

Sou fotógrafo, moro em São Paulo e já estive em 16 países. O Viver a Viagem é meu projeto pessoal e vai além de dicas triviais; quero proporcionar uma imersão cultural e ajudar você a viajar com um olhar diferente.